24 de julho de 2011

MOVIDOS POR ANJOS

Todos os dias saia determinado para cumprir sua missão que era levar uma boa mensagem para cada pessoa que o recebesse. Não importassem as circunstâncias ou intempéries, de casa em casa ele seguia oferecendo as literaturas que salvariam vidas porque tratavam de saúde física. 
Decidiu dar a ultima oferta depois de um dia cansativo. Ao tocar a campainha uma jovem senhora apareceu na janela e com expressão de assustada não abriu a porta. Ele foi embora, mas ficou preocupado com a situação inesperada.  Decidiu voltar no outro dia e para sua surpresa a jovem senhora o atendeu e o que estava por ouvir seria algo surpreendente. E ela disse:
_Porque o outro homem que estava com você não veio? Preciso agradecê-lo!
Sem entender o que estava acontecendo ele explicou que a visitou sozinho! Não havia ninguém com ele!
Então a jovem senhora caiu em prantos e contou que naquele fim de tarde estava muito triste. Que era mãe de três filhos e que havia sido abandonada por seu esposo. Desesperada havia decidido dar fim a sua vida e a de seus filhos, mas o homem que o acompanhava lá do portão, em sinal de negativo com sua mão, dizia que não fizesse aquilo. E ela continuando disse que era um homem alto e muito lindo e ela ficou impressionada com a maneira enfática do sinal que ele fazia. Mas não havia ninguém com ele ao menos nenhum ser humano...
Em outra situação uma jovem que oferecia treinamento e capacitação profissional em empresas fez uma palestra numa grande empresa e ao final foram deixadas literaturas sobre saúde e relacionamento.
Passados alguns anos a mesma moça foi apresentar-se em uma igreja e ao final um casal a estava esperando, que lhe perguntaram se era a mesma pessoa daquela palestra naquela grande empresa. Depois de se certificarem de ser a mesma palestrante a esposa falou:
_ Vim aqui para lhe agradecer! Porque eu passei grande parte da minha vida, cerca de mais de 15 anos orando aos céus para que meu esposo parasse de beber e frequentasse a igreja comigo. Depois daquela palestra algo nele mudou e ele foi uma das pessoas privilegiadas com aquela literatura e deste dia em diante meu marido mudou. Obrigada por restaurar a minha família.
Essas são histórias reais que mudaram a vida de duas famílias. Certamente alguma influência superior estava com eles. E este texto foi escrito em homenagem a estes profissionais que levam esperança e salvação a muitas pessoas.
Talvez devamos recebe-los, porque anjos podem estar com eles.

5 de maio de 2011

“NÃOS” NECESSÁRIOS



Uma mãe com sua filha de no máximo 7 anos de idade aguardavam a consulta e a chegada da médica. A criança, visivelmente impaciente, intercalava atitudes de birra e desobediência manifestando total controle sobre as decisões da mãe que demonstrava não saber o que fazer. Certamente devia ser repetitivo o comportamento da criança que não entendia que deveria esperar como todos ali. E tudo fez para ser notada e, vez ou outra, olhava para as pessoas ali sentadas confirmando sua rebeldia e desobediência aos pedidos da mãe. E a expressão daquela mãe era de cansaço e vergonha e o seu comportamento de descontrole e raiva.
Muitas vezes pais desorientados cedem à birra de seus filhos concedendo-lhes um “poder” desproporcional ao tamanho deles. Não sabendo o que fazer e querendo se livrar de tal incômodo, os pais cedem às manias e exigências de seus filhos, porque receiam traumatiza-los e achando que mostram amor por eles. Às vezes utilizam palavras de afeto no diminutivo, como filhinha (o) ou iniciam uma frustrada conversa tentando “negociar” com presentes ou agrados o término do show infantil. Sequer eles têm consciência do dano que estão causando na formação do caráter e da personalidade de seus filhos. 
Certa vez num programa de televisão um especialista disse: _A família de hoje está fabricando bandidos, despejando-os na sociedade e exigindo do estado a correção ou a prisão deles! Isto realmente é sério e há que se refletir onde tudo isto começa e de qual instituição cabe à responsabilidade: se a família ou se o estado. O fato é que crianças educadas sem limites certamente tornar-se-ão pessoas descontroladas diante de exigências não satisfeitas. Poderão ainda ser alvos fáceis nas mãos de aliciadores e traficantes uma vez que, por não ouvirem “nãos” necessários, também não saberão negar ofertas malignas tornando-se vulneráveis a elas. O mais grave é que crescerão sem a exata noção do que é certo ou errado se tiverem pais envergonhados de dizer “isto pode e isto não pode”!
Num livro sobre educação havia uma citação que dizia: _ Quanto mais cedo nossos filhos nos dispensarem é sinal que acertamos na educação deles (Pais, amigos ou censores). Ou seja, filhos bem educados são aqueles que demonstram autonomia e independência. E isto é resultado de uma educação centrada na formação de pessoas com estrutura afetiva e equilíbrio emocional. Saber lidar com as frustrações e perdas que a vida nos impõe faz parte de um processo natural de crescimento e maturação, resultando adultos saudáveis.
Como educadores aprendemos muitas lições na vida e uma delas é que o amor também tem que ser firme. Entretanto excessos de qualquer natureza, como violência, abuso ou agressividade são prejudiciais e ter autoridade não significa e nem requer o uso do autoritarismo. Se educadores e pais tiverem reservas de estabelecer regras aos seus filhos e alunos, negando-lhes o limite necessário, eles crescerão raivosos, intransigentes e intolerantes, contrariando as orientações da bíblia. Devemos avaliar se, na existência deste comportamento em nossos filhos, a origem deve-se as sucessivas concessões dadas por nós, no momento em que o limite a eles deveria ser estabelecido.
Deus em todas as combinações possíveis de cores e formas que fez na natureza nos mostra um senso de equilíbrio extraordinário. E tudo ficou bom e belo. O excesso sempre será danoso, seja para mais ou para menos. Portanto devemos amar nossos filhos como Deus nos ama, protegendo e corrigindo, sendo conscientes de que amar não é servir. Amar é educar para o serviço de amor!
Vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor. (Efésios 6:4) 

28 de abril de 2011

ALÉM DO MILAGRE


Quando descobriu que estava grávida a alegria não foi contagiante. As emoções se misturavam entre expectativa e medo. Afinal este é um momento único na vida de uma mulher, que necessita de muita atenção e cuidado.
Recebida a boa notícia ela precisava trabalhar ainda mais e continuou na função de manicure, indo na casa das clientes para prestar os seus serviços. Uma cliente era especial e amiga de todas as horas. Sempre que a visitava, além de arrumar suas unhas, se demorava em agradáveis conversas que nem sentiam o tempo passar.
Mas naquele dia tudo estava diferente.  Devido à gravidez inesperada ela estava aflita e confiou a sua amiga a tarefa de confortá-la do medo que sentia. Como sua amiga já tinha passado por esta situação, tratou de orientá-la, de acalmá-la lendo alguns salmos da Bíblia e sempre terminava com uma oração. Um salmo em especial ela gostava muito, que descrevia o cuidado de Deus com seus filhos ainda no ventre da mãe: o salmo 139. E foram muitos destes momentos entre as amigas durante toda a gestação.
A gravidez transcorreu com toda a normalidade e chegou o grande dia do nascimento do bebê e ela deu a luz a um lindo e forte menino. Ela ficou muito feliz, mas ainda estava muito apreensiva. Passados alguns dias foi necessário fazer o teste do pezinho, exame obrigatório onde se detectam muitas doenças nos recém-nascidos. Casualmente sua amiga estava com ela e presenciou a coleta do sangue pelo laboratório e antes que o procedimento terminasse, ela pediu que sua amiga fizesse outra oração, demonstrando ainda muita aflição.
Nada foi diagnosticado na criança e somente depois do resultado que ela pode contar o que estava acontecendo para a sua amiga. Foi então que abriu seu coração revelando um grande segredo. Ela contou que já havia engravidado antes, que teve outro filho, que ele nasceu com uma grave doença e morreu cinco meses depois do nascimento. Que durante este período ela morou dentro de um hospital até o dia do falecimento de seu primeiro filho.
Os médicos constataram que o casal não poderiam ter filhos porque entre eles havia uma incompatibilidade sanguínea. Os filhos nasceriam com uma doença rara, que é detectada somente no teste do pezinho. Ela foi orientada por vários profissionais, inclusive conselheiros genéticos a não engravidar devido a possível anomalia. Os médicos se surpreenderam ao ver que eles tiveram um filho saudável, uma possibilidade inexplicável e remota entre milhões de casos.
A fé daquela jovem e em especial a certeza que tinha nas orações que sua amiga fazia por seu bebê, fez com que ela acreditasse cada vez mais em um Deus poderoso, desconhecido por muitos. E foi assim que a amizade entre as duas fortaleceu ainda mais e elas, além de amigas, passaram a ser irmãs da mesma fé e frequentadoras da mesma instituição religiosa, coisa que não acontecia antes.
Aquela moça aprendeu de um amor incompreensível e incondicional, porque além do milagre de ter outro filho, negando a todas as probabilidades científicas, ele nasceu completamente perfeito como descrito no salmo. Ela também aprendeu que não importa como somos e onde estamos Deus sempre estará cuidando de nós.

Tudo o que fazes é maravilhoso, e eu sei disso muito bem. Tu viste quando meus ossos estavam sendo feitos, quando eu estava sendo formado na barriga da minha mãe, crescendo ali em segredo. (Salmos 139:14 e 15)

27 de abril de 2011

CRENDO, RECEBEREIS



Depois de um dia de trabalho intenso nada significaria descanso real do que chegar logo a sua casa. Mas naquela noite teve que voltar a pé, porque o dinheiro que tinha na carteira serviu apenas para comprar pão e leite para os seus filhos.
Naquele mês os recursos estavam escassos e ele sabia que teria que fazer alguma coisa até que chegasse o pagamento do salário.  E fez tudo o que pode para conseguir outra renda e sustentar sua família. Assumiu mais funções, trabalhou além da conta, fez bico como vendedor, mas algumas pessoas não pagaram.
Mesmo assim não perdeu a fé e, como de costume, no caminho de volta para casa, entregou aos céus suas preocupações. A esposa sabia de toda dificuldade e fazia o possível para ajuda-lo. Dedicada, esmerava em seus afazeres domésticos e no cuidado dos filhos e, apesar da casa simples, tudo estava sempre bem arrumado.
Ao chegar encontrou sua amada esposa esperando com uma boa comida servida a mesa. Mesmo cansado ouviu-a atentamente contando os acontecimentos do dia, depois tomou um banho, comeu e finalmente poderia descansar. Mas antes foi ao quarto ver seus filhos que já estavam dormindo... Ali mesmo ajoelhou-se para novamente fazer outra oração.
Naquele momento ele abriu seu coração e contou tudo o que estava acontecendo. Num desabafo sincero, secretamente, falou de todo o seu esforço como chefe de família e de como estava sendo difícil não ter como prover todas as necessidades. E terminou a sua oração dizendo que confiava e que esperaria pela providencia divina.
No outro dia levantou-se como de costume, trocou de roupa, arrumou-se para ir ao trabalho, conversou com a esposa e os filhos e fizeram uma oração juntos. Em seguida sua esposa saiu levando seus filhos para creche e foi à procura de um trabalho para ajudar nas despesas da casa.
Ele beijou seus filhos, beijou sua esposa, voltou para casa, sentou no sofá, pegou a bíblia e ficou ali lendo e esperando que alguma coisa acontecesse. Realmente havia entregado aos céus suas preocupações e decidiu que não faria mais nada a não ser esperar por alguma solução sobrenatural. Afinal não tinha sequer o dinheiro para a passagem do ônibus.
Assim permaneceu por algumas horas, sentando no sofá lendo e meditando naquelas promessas quando alguém bateu a porta. Ele levantou-se calmamente abriu a porta e um cliente conhecido que há muito tempo não via disse assim: “_ Eu não sei por que, mas uma força incomum me fez vir aqui hoje. Alguma coisa me impressionou fortemente para pagar-lhe o que devo. Por favor, me perdoe pelo esquecimento e aceite algo a mais pela demora”. E entregou-lhe o dinheiro além do que devia. Ele se despediu do conhecido e entrou. E ali mesmo na sala ajoelhou-se e agradeceu.
E tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis. (Mateus 21:22)

26 de abril de 2011

ESTOU COM FOME



Suas mãos estavam sujas. Suas roupas maltratadas pelo tempo. Descalço caminhava pelas ruas da cidade em meio a edifícios suntuosos que contrastavam com sua condição de morador de rua. Não havia como entender porque um rapaz tão jovem e de boa aparência vivia assim...
Com fome parou na calçada esperando por alguém que passasse e então pediria ajuda. Uma moça estacionou o carro e nem percebeu a presença daquele rapaz ali, porque estava atrasada para um importante compromisso. Ela deveria prestar um depoimento no Centro de Defesa de Direitos Humanos que ficava do outro lado da rua. E enquanto pegava a pasta com documentos preocupada em registrar a denúncia, o rapaz aproximou-se e disse: _ Moça. Estou com fome! Você pode dar algum trocado para eu comprar comida?
A moça desculpou-se e disse que não tinha nenhum centavo em sua bolsa naquele momento. Mas olhou atentamente para aquele rapaz e por algum motivo teve a certeza de que ele não estava mentindo. Sentiu remorso e viu que em meio às coisas que trazia no carro havia um pacote de bolachas fechado. Ela então ofereceu a ele esperando que não recusasse e nem se importasse de comer apenas aquela bolacha... Realmente parecia faminto!
Ele aceitou, agradeceu educadamente e, antes de sair, abriu o pacote, comeu as bolachas descendo a rua com o mesmo semblante triste. Com passos rápidos ele se afastava dos olhos atentos da moça que ficou ali observando a sua situação. Por um momento ela esqueceu seu compromisso.
Parecia contraditório porque um pouco mais ela abriria um registro de abuso e violência por parte de alguma autoridade, reivindicando o cumprimento da lei. E aquele jovem sequer tinha o direito a necessidades básicas como alimentação, segurança e moradia. Engajada em causas sociais, participante de uma instituição religiosa e educadora comprometida, o coração daquela moça clamava por justiça. Mas naquele momento nenhuma lei era suficientemente boa para prover para aquele rapaz à dignidade humana que ele não tinha e tanto precisava.
Antes que ele desaparecesse por completo de sua visão, ela gritou por ele que olhou para traz atendendo ao seu chamado. Então abriu o carro, pegou uma bíblia de uma pilha de livros, correu até o desconhecido e lhe disse:
_ “Moço, eu não tenho muita coisa nesta vida, mas o melhor que eu tenho eu quero lhe dar”... E mostrou a ele o livro sagrado perguntando: _ Você aceita? E se aceitar, você me promete que não vai jogar fora nem rasgar as suas páginas para usar drogas?
O jovem olhou para ela e emocionado respondeu: _ ”Moça, se você me der este livro, eu prometo que lavo as minhas mãos para tocar nele e abri-lo”. E assim ele agradeceu e desceu a rua com a Bíblia abraçada em seu peito.
A moça seguiu para o seu compromisso e nunca mais viu aquele rapaz. E ela acredita que talvez um dia, num mundo mais justo do que este, quem sabe no céu, ela possa reencontrá-lo salvo, seguro e feliz. 
“Estão chegando os dias”, declara o Senhor, o Soberano, “em que enviarei fome a toda esta terra; não fome de comida nem sede de água, mas fome e sede de ouvir as palavras do Senhor. (Amós 8:11)

25 de abril de 2011

MESMO VENDO, NÃO ENXERGAMOS


Naquela manhã todos acordaram agitados porque o despertador não tocou. A mãe aflita corria de um lado para o outro se desdobrando entre arrumar as crianças, aprontar o desjejum e prender o labrador que pulava na garagem.

O trajeto até a escola era longo porque as crianças estudavam numa cidade vizinha a alguns quilômetros de distancia. Era grande o atraso, mas a mãe mostrando aparente tranquilidade colocou as crianças no carro, ligou o som e preparou-se para a pequena viagem.
Aqueles eram dias atribulados porque a rotina de pegar a estrada todas as manhãs cansava a pobre mãe que, ou voltava para sua casa a fim de cumprir com seus afazeres, ou passava as manhãs visitando supermercados da cidade vizinha até dar o horário de saída da escola.
Enquanto não encontrava uma casa para morar próximo a escola, este era o trajeto diariamente e não estava sendo muito fácil. Além das dificuldades normais da vida, a mãe colecionava tensão relacionada ao transito nas rodovias.
E quanto mais apressados estavam mais inconvenientes aconteciam. Uma fila de caminhões se estendia pela estrada e a mãe cantarolava algumas músicas com a garotada em uma ou outra ultrapassagem. Mas o tempo de tolerância permitida pela escola estava se esgotando.
Já quase chegando, a mãe motorista avistou um pequeno animal sentando a beira da rodovia na ultima rotatória que dava acesso à escola. Era um pequeno gatinho, filhote ainda, que desconhecia o perigo daquela situação. Definitivamente ali não era um lugar seguro para ele porque corria o grave perigo de ser atropelado.
Rapidamente pensou: “_ Vou parar! Não, não vai dar tempo! Então, deixo as crianças na escola e, na volta, tiro este gatinho da estrada socorrendo-o do perigo”. E assim ela fez torcendo para que nada de mal acontecesse com o frágil animal.
Não deu tempo. Quando retornou feliz por ter deixado as crianças  na escola, ela viu o pobre gatinho sendo esmagado por aquela fila de caminhões. Ele era tão pequeno, sequer conheceu a vida e tão jovem se perdeu. Ela nunca mais se esqueceu daquele episódio e pensava assim: “_ Foi apenas um gatinho, mas podia ser qualquer um precisando de ajuda. Um parente, um coleguinha da escola, um amigo da família, um irmão de igreja, um desconhecido sem consciência e sem a noção do risco que passava”.
Às vezes, sem   querer, cometemos o mesmo erro com alguém próximo a nós. São pessoas indefesas, inocentes, fragilizadas que passam por nossa vida em busca de socorro, cuidado, proteção e até orientação. Precisam apenas de um ouvido emprestado, de uma mão estendida, de um sorriso ou de uma oração. E na pressa da vida, ocupados de nossas tribulações, mesmo vendo, não enxergamos os que merecem nossa   atenção.
Depois desse dia, aquela mãe nunca deixou de ajudar alguém necessitado, ainda que este desconhecesse sua real necessidade.
 “Digo-lhes a verdade: O que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a Mim deixaram de fazê-lo” (Mateus 25:45)

24 de abril de 2011

É ONDE EU ME APEGO



Logo que ele entrou no carro percebi que os tempos estavam bem difíceis. Apesar de vê-lo sorrindo e falante, nada disfarçava aquela tensão. Mas seguimos a viagem até chegarmos ao nosso destino.
Sentado no sofá da sala já parecia mais descontraído. Não passou muito tempo e ele começou a contar parte do que estava lhe afligindo... Era muita coisa, por vezes uma mistura de ansiedade, medo, insatisfação e em outra fuga, distração, inconsequência e revolta.
Os fatos eram bastante relevantes, as situações realmente constrangedoras e eu ouvinte aos detalhes, atentava a cada emoção e me perguntava em silêncio:_ Como pode suportar a tanta pressão e resistir a tudo isso!
Lembro-me dele falando que procurou ajuda e que profissionais o assistiram nesta fase difícil. Lembro também de seu relato sobre a fé, uma dualidade entre a esperança e a descrença. Uma coisa só ele soube fazer bem: fugir e negar toda a necessidade de socorro e proteção. Apesar de tudo, ele foi embora sorrindo aparentemente mais leve e certo de que alguma coisa dentro dele havia mudado.
Passou o tempo e eu me pegava nas lembranças da conversa daquele dia, dedicando uma oração e me perguntando: _Será que ele está bem?
Um novo ano começou e novas decisões foram tomadas. Ele teve que mudar de cidade porque parte de seus planos não haviam se concretizado e um novo caminho teria que ser seguido. Nesta nova fase e neste novo lugar, outras emoções foram vivenciadas, outro misto de incerteza, solidão e expectativa.
Tamanha a surpresa quando voltou para uma visita inesperada e então a saudade seria apaziguada. Ele então mostrou alguns textos escritos naquela época de muita tensão. E eu me emocionei com tanta criatividade, ao ler palavras que expressavam muita sensibilidade em detrimento da angústia.
De tudo que ele escreveu, vou destacar o seguinte: A distração nos leva para um mundo que não conhecemos. Ela me trouxe para tão longe. Encontrei um mundo onde o brilho era o disfarce para mais escuridão. Com ela aprendi que o talvez não seja talvez. Que o que parecia certo, talvez não fosse tão certo. E que a diferença talvez fosse igual. Mas eu vivo e sigo um plano maior. É só o que eu sei. É onde eu me apego. O conforto. O encontro. O amor. A vida”! (G.S) 
Sabendo de toda a sua trajetória orgulhei-me ainda mais de tê-lo conhecido. Apesar da pouca idade e passando por tantas dificuldades, no melhor da juventude, ele transformou a dor em aprendizado e fez do sofrimento algo construtivo. E diante do que li uma certeza só eu tive. Preciso aprender mais de Deus para conhecer mais de mim mesmo (a).
Tudo posso Naquele que me fortalece. (Filipenses 4:13)