25 de abril de 2011

MESMO VENDO, NÃO ENXERGAMOS


Naquela manhã todos acordaram agitados porque o despertador não tocou. A mãe aflita corria de um lado para o outro se desdobrando entre arrumar as crianças, aprontar o desjejum e prender o labrador que pulava na garagem.

O trajeto até a escola era longo porque as crianças estudavam numa cidade vizinha a alguns quilômetros de distancia. Era grande o atraso, mas a mãe mostrando aparente tranquilidade colocou as crianças no carro, ligou o som e preparou-se para a pequena viagem.
Aqueles eram dias atribulados porque a rotina de pegar a estrada todas as manhãs cansava a pobre mãe que, ou voltava para sua casa a fim de cumprir com seus afazeres, ou passava as manhãs visitando supermercados da cidade vizinha até dar o horário de saída da escola.
Enquanto não encontrava uma casa para morar próximo a escola, este era o trajeto diariamente e não estava sendo muito fácil. Além das dificuldades normais da vida, a mãe colecionava tensão relacionada ao transito nas rodovias.
E quanto mais apressados estavam mais inconvenientes aconteciam. Uma fila de caminhões se estendia pela estrada e a mãe cantarolava algumas músicas com a garotada em uma ou outra ultrapassagem. Mas o tempo de tolerância permitida pela escola estava se esgotando.
Já quase chegando, a mãe motorista avistou um pequeno animal sentando a beira da rodovia na ultima rotatória que dava acesso à escola. Era um pequeno gatinho, filhote ainda, que desconhecia o perigo daquela situação. Definitivamente ali não era um lugar seguro para ele porque corria o grave perigo de ser atropelado.
Rapidamente pensou: “_ Vou parar! Não, não vai dar tempo! Então, deixo as crianças na escola e, na volta, tiro este gatinho da estrada socorrendo-o do perigo”. E assim ela fez torcendo para que nada de mal acontecesse com o frágil animal.
Não deu tempo. Quando retornou feliz por ter deixado as crianças  na escola, ela viu o pobre gatinho sendo esmagado por aquela fila de caminhões. Ele era tão pequeno, sequer conheceu a vida e tão jovem se perdeu. Ela nunca mais se esqueceu daquele episódio e pensava assim: “_ Foi apenas um gatinho, mas podia ser qualquer um precisando de ajuda. Um parente, um coleguinha da escola, um amigo da família, um irmão de igreja, um desconhecido sem consciência e sem a noção do risco que passava”.
Às vezes, sem   querer, cometemos o mesmo erro com alguém próximo a nós. São pessoas indefesas, inocentes, fragilizadas que passam por nossa vida em busca de socorro, cuidado, proteção e até orientação. Precisam apenas de um ouvido emprestado, de uma mão estendida, de um sorriso ou de uma oração. E na pressa da vida, ocupados de nossas tribulações, mesmo vendo, não enxergamos os que merecem nossa   atenção.
Depois desse dia, aquela mãe nunca deixou de ajudar alguém necessitado, ainda que este desconhecesse sua real necessidade.
 “Digo-lhes a verdade: O que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a Mim deixaram de fazê-lo” (Mateus 25:45)

2 comentários:

  1. A verdade é que com o corre corre do dia dia esquecemos do nosso próximo. As vezes não esquecemos só apenas ignoramos ou nos acostumamos em deixar de lado o problema.
    Deus nos deu a oportunidade de ajuda as pessoas para aprendermos a ser humildes. Para aprender amar o próximo e a Ele.

    ResponderExcluir
  2. Na nossa vida sempre estaremos com o pensamento de ter deichado algo para traz,mas não devemos nos arrepender de algo,pois Deus escreve certo por linhas tortas.

    ResponderExcluir