24 de abril de 2011

É ONDE EU ME APEGO



Logo que ele entrou no carro percebi que os tempos estavam bem difíceis. Apesar de vê-lo sorrindo e falante, nada disfarçava aquela tensão. Mas seguimos a viagem até chegarmos ao nosso destino.
Sentado no sofá da sala já parecia mais descontraído. Não passou muito tempo e ele começou a contar parte do que estava lhe afligindo... Era muita coisa, por vezes uma mistura de ansiedade, medo, insatisfação e em outra fuga, distração, inconsequência e revolta.
Os fatos eram bastante relevantes, as situações realmente constrangedoras e eu ouvinte aos detalhes, atentava a cada emoção e me perguntava em silêncio:_ Como pode suportar a tanta pressão e resistir a tudo isso!
Lembro-me dele falando que procurou ajuda e que profissionais o assistiram nesta fase difícil. Lembro também de seu relato sobre a fé, uma dualidade entre a esperança e a descrença. Uma coisa só ele soube fazer bem: fugir e negar toda a necessidade de socorro e proteção. Apesar de tudo, ele foi embora sorrindo aparentemente mais leve e certo de que alguma coisa dentro dele havia mudado.
Passou o tempo e eu me pegava nas lembranças da conversa daquele dia, dedicando uma oração e me perguntando: _Será que ele está bem?
Um novo ano começou e novas decisões foram tomadas. Ele teve que mudar de cidade porque parte de seus planos não haviam se concretizado e um novo caminho teria que ser seguido. Nesta nova fase e neste novo lugar, outras emoções foram vivenciadas, outro misto de incerteza, solidão e expectativa.
Tamanha a surpresa quando voltou para uma visita inesperada e então a saudade seria apaziguada. Ele então mostrou alguns textos escritos naquela época de muita tensão. E eu me emocionei com tanta criatividade, ao ler palavras que expressavam muita sensibilidade em detrimento da angústia.
De tudo que ele escreveu, vou destacar o seguinte: A distração nos leva para um mundo que não conhecemos. Ela me trouxe para tão longe. Encontrei um mundo onde o brilho era o disfarce para mais escuridão. Com ela aprendi que o talvez não seja talvez. Que o que parecia certo, talvez não fosse tão certo. E que a diferença talvez fosse igual. Mas eu vivo e sigo um plano maior. É só o que eu sei. É onde eu me apego. O conforto. O encontro. O amor. A vida”! (G.S) 
Sabendo de toda a sua trajetória orgulhei-me ainda mais de tê-lo conhecido. Apesar da pouca idade e passando por tantas dificuldades, no melhor da juventude, ele transformou a dor em aprendizado e fez do sofrimento algo construtivo. E diante do que li uma certeza só eu tive. Preciso aprender mais de Deus para conhecer mais de mim mesmo (a).
Tudo posso Naquele que me fortalece. (Filipenses 4:13)

Um comentário:

  1. Fato, sempre que sofremos, sempre vem o aprendizado em seguida, pode demorar um pouco, mas vem, basta você querer aprender e seguir em frente ou ficar se lamentando pelo passado .. muito lindo mesmo .. :D

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